sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Caldeirão de poesias (3)

Coletânia de Poesias.
Autora: Silvia Moura.
“As florestas e o deserto
perfumam-te as tranças rudes
tens na fronte as atitudes
do enigma e do incerto.”
Charles Baudelaire.



Que loucura, uma mira surrealista!
Sentir o néctar nefasto da ilusão.
No branco Cris-tal!


Eu rio de mim.
Eu rio de você.
Adoeço.
E escrevo.
Se estou bem...
                            alianço-me com o tempo,
    durmo com o amanhã
 e faço amor com o presente.
Tu ausentas da agonia,
da medida,
da necessidade,
do desejo,
 do sonho,
 da mística União.
A incerteza toma face de uma montanha!
 A santidade perfuma o vaso profano,
 As sandálias de barro
Caminha... caminha... caminha!
Os olhos fecham-se
 na sublimidade do momento:
 pôr do Sol!
A lua acasala-se!
É o amor sagrado.
Pede-se perdão.



“Nada espero
e tudo quero
Sou quem toca
Sou quem dança
Quem na orquestra
Desafino
Quem delira
Sem ter febre
Sou o par
 E o parceiro
Das verdades
A desconfiança.”
            João Ricardo e Apolinário.


Misericórdia, Senhora pela liberdade!
Apiedai-vos daqueles que amam sem roupas!
Perdão aos tolos, tontos e sensíveis.

Jogo a castidade para o vôo do coração...
Arranco de mim, o pudor que se cala...
Ando sem a calcinha da farsa...
E peço perdão pela mão que recita...
O poema guardado!
Dai-me a esmola da compreensão.
Retire a marca do gesto inquisidor perante a leveza...
... As borboletas têm direito à vida!
Os peixes nadam sobre a harpa...
Aquietas, a música não late... e nem morde!
...
Feche a luz!
O palco é o amor.
A caridade agradece e a mendiga faz parte ainda... das ruas.
Perdoa-me, prefiro a minha verdade.

Tua falta é o limite
Onde tudo morre antes
Branco no papel sulfite
Silêncio do alto falante.”
Celso Viáfora
Eva mordeu a maçã.
Joana Dar’c foi para a fogueira,
Madalena converteu-se...

O que você quer de mim?
 Retirar o direito do divino amor meu?
Pedir perdão pela tamanha inconveniência?
 Eu faço.

Ninguém tirará a vontade de que você exista
como minha parte.
Eu parto.
Estou longe.
Não quero lhe ver,
as unhas da gata arranharia o teu rosto.
estou a conta -gota de esperança.
Os homens outros usam saia.
Se eu soubesse que ao jogar uma maçã acertaria a sua cabeça... eu jogaria.
Ou um prato.

Chata!
Como ousa me magoar?
Hoje estou tão frágil!
A guerreira desaparece em ciclos.

Não existe maior dor que amar o ausente.
Sai da necessidade física e adentra nas grutas invisíveis do amor que transcende
as vontades terrenas.
Exige-se renúncia de um silêncio enorme dos fatos considerados concretos que satisfazem somente aos 05 sentidos.
Viaja na textura do amor real do Universo:
 verso do meu cosmo coração.
Retirar um amor, ao colocar nos arquivos “fora de cogitação” é grosseria.
Ou fuga!

Até quando o fazer do dia a dia aliviará os desejos incendiados de uma bruxinha que na calada da noite adormece se perguntando:
“o que ela estará fazendo agora?
Já dormiu?”

cansaço e preocupação adia...
mas não apaga!

Estou sendo queimada na “fogueira das vaidades” diante
  da decisão inquisidora dos padrões enferrujados e
das conveniências
por falar o que a outra não acredita:
 união e alquimia sexual.

Que horror!

Reminiscências cléricas, hem, 

Não se mede a profundidade da falta e
dos sentimentos quando as palavras
 são grafadas pelo fogo do coração.

Jamais um aquário terá a beleza
 e a magia do mar.


“E viveram felizes para sempre
Eles estavam livres da perfeição
Que só fazia estragos.”
Nando Reis


Todos os insultos à Deus, tornaram-se caminhos com espinhos,
 mas eram caminhos.
Que a sua mão venha ao coração.
Vale a pena machucar?

O deserto é extremado.
A beleza está presente e seca.
Prefiro os jardins.
Exige dedicação, mas a vida é constante.
Sou enjoada!
Calada com olhos que fala.
Escrevo para você, sem razão.
Quando raciocino acho-a mesquinha.
Amo uma mesquinha?
Ou estarei na culminância do meu egoísmo quando só vejo você para amar?
Que contradição:
 o amor cresce e vai adiante.
A imperfeição do que sinto,
engravida-me de desejos!
A imperfeição é sábia.

Vá,
imaginar-se perfeita e
 medir a estrutura da vida
apenas na paisagem alcançada
pelos teus belos olhos!
Que perfeição de Orgulho!



“Os verdadeiros versos
não são para embalar
mas para abalar.”
Mario Quintana.

Entre os dias, as noites.
Entre, para os afazeres.
Descansa e dorme
Assim, Orfeu passou no Tempo!
Comeu Jabuticaba nas festas.
Tudo bem!
Sabores diversos a Grécia tinha.
Sabores são conhecimentos frutas nas experiências.
E a jabuticaba, o que é?
O alicerce de tudo é a Origem.
Doce dilema: penso, logo, existo!
 Sheskspeare criou Romeu para idolatrar Julieta
e ambos decidiram fugir para amar;
Jocasta amou Édipo
 que matou Laio – o pai!
A Grécia nunca deixou de ser uma grande civilização e
 nem o berço dos grandes pontos de interrogação.
 Os aborrecidos gregos foram para as guerras,
deixando as doces Helenas sozinhas.
Páris,
Aquiles,
 Ulisses,
amavam as Helenas e
Zeus visitava as mortais.
Silêncio.
Os Deuses não existem.
Que pena!
Gostaria de conhecer Zeus!

“O amor ta quase mudo
Minha voz também.”
Luís Melodia!

Ama-se o inusitado
amando você.
É um delito falar com a inocência da verdade que há o amor.
Meu amor não é
 como de Ana,
Beatriz,
Cristina.
Ama-se o incerto
diante de você.
Rainha sem coroa,
não precisa de um amor
 com barras de ouro.
 Ou pedrarias da Índia...
Insulta-se o Mistério,
quando ama você?
Ama o amor da amada
embaixo do céu.
Só posso oferecer o que os meus olhos vêem
sem tocar.
Quando eu olhar para o Mar
verei você.

Mesmo que a boca sem ser a sua,
acorde o meu desejo.

Silvia.



                                           
  “Amo a recordação daqueles dias nus
Quando Febo dourava as estátuas de luz
Quando homem e mulher na agilidade
Brincavam sem mentira e sem ansiedade.”




Charles Baudelaire

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