sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Caldeirão de poesias (2)

Coletânia de poesia.
Autora: Silvia Moura
“Sou sua noite, sou seu quarto
se você quiser dormir
E se despeço eu em pedaços
Como o silêncio ao contrário
Enquanto... espero
Escrevo uns versos e depois rasgo.”
Adriana Calcanhoto


Cansada você chega!
Cansada... do nada, o tudo envaidece.
Falei que o nada não se desnuda da verdade de mim!”

Repousa, meu carinho!
Do vinho dos meus afagos!
Quisera eu te ensinar
a magia da alma que
 sacode o mundo, o seu mundo.
Quiseras tu,
silenciar para não despertar!
Você vê a dor,
da sobrevivência dos outros.
Eu sou a sobrevivência
do que sinto.

Não quero você
Agora, perto de mim.
Você em si,
é cantiga que ao ouvir dói...
brasa que apaga na medida do sopro
sopro que diminui na expansão do fogo
fogo que queima sem incendiar
incêndio que se perde nas fagulhas dos
pensamentos.

“Por todo o caminho, te levo comigo,
como quem arranca um punhado de mato
e põe no bolso
só para sentir a raiz dentre os dedos.”
Kátia Borges.

Sentidos comuns nas entranhas do coração
Gera uma Farroupilha.
Sentidos especiais em erupção
Não tem signos e códigos.

Rodopia peoa do relógio-ritmo seu!
Na gravidade certa, o equilíbrio...
Pétalas na peoa, por favor!
 De tantas pétalas
A peoa saiu voando feito borboleta!
Metades das metáforas são apenas gestos silenciados pela força da última canção.


Não gosto do perfil
 que as musas dos poetas eram etéreas
E nem que eles não as tinham, por serem musas.

Amor que bate na distância
É ruptura dos velhos mares de
Castro Alves,
Aloísio de Azevedo e
        
     Machado de Assis.

Que falariam a ti?


“Vem já
antes que anoiteça
tecer noites e páginas.
              Adriana Calcanhoto


Amariam-se enjoados, os crioulos dos Navios vindos da subversão européia?
Amaria o Ateneu a luva de Assis na mão do Mulato?
Sim!
Sim!
Lembrei hoje de “Darcy” personagem principal
de um best seller de Jane Austen.


Não nasci para ser mulher.
Eu sou mulher!
Eu não nasci para pensar.
Eu penso!
Eu não nasci para ler.
Eu sou o livro!
Eu não nasci para ser à sombra do Sol.
 Eu sou o código do Sol!

No meu código, a incoerência do “azul cor do mar”
que tem tempestades.
Um dia recitarei uma poesia
para os seus pés.
Por que os pés?
Para acordar
 o resto na dança!
As mãos desacostumaram
ao baile,
A pele não respira
o pêndulo da poesia,
Nem os olhos
não se inventam!
As coxas recebem pancadas
e não gemem...
Os braços são
semáforos!
A coluna com becos
inesperados.
O cheiro... lampião antes da luz
elétrica.
Os cabelos não modelam a
cera da estátua.
O umbigo, oráculo vazio!
Os quadris,
as sapatilhas da bailarina que virou mulher e teve filhos.
Os pelos eriçam de frio,
jamais de calor.

Oh! A boca...
                                A boca não sorri.
 A boca está comendo!

A necessidade não tem música.
A alma tem notas, pianos e flautas.
A alma está nas ladeiras do Pelourinho em ginga...

 Na bagatela Europa que deitou
com as crioulas açoitadas e mesmo assim saiu do
meio da suas coxas, o leite,
Do gozo da branca
malvada!

O ouro ladeirou o porto,
As emboladas aconteceram
mesmo assim!

Escorrega, nega!
Passei óleo e amendoim
nas tuas virilhas
Para a ribalta
de Bethoven acontecer!
Ou só basta “café com pão”
 de Minas?

Os índios dançam;
O negro cozinha!
A Natureza tem espírito.
E o branco tem dor de barriga pensando ser feliz!
Quando o mestiço e o amarelo avermelharam, a América Nordestina conheceu “o comuna”.
Os peixes são sacrificados feitos cordeiros do mar,
para amar o contato do Homem com Deus
pela pescaria.
O mar dá peixe ao pescador.
No outro dia, o pescador não volta mais do mar!
Mesmo assim, o povo ama Iemanjá!

A febre da Tuberculose inspira abolicionista!
Amados são Abreus em terras sangrentas
da Pensão que abriga a hora da estrela.
Acorda!
É o carnaval do galo!
Madruga-se cedo na rede
bizantina do interior do Ceará.
Atravesse o canal da Virgem de
qualquer vila
 e chega nos barrocos gestos limoeirenses!

A Natureza impõe segredos.
O que são lendas brasileiras senão o bastão da arte do suor escorrido em formas de dores e desassossegos
junto as velas e terços.
A renda do altar esconde o desejo.
As cordas amarram as esperanças.
É o Jaguaribe em vôo da Currupia!
Chia! Pia!
Sem estremecer.
Aprendeu no olho
do Índio que viu a morte
pela fome
e escapou.
Dê o nó bem dado.
As dificuldades não esperam “torno” escuro.
Sai da Praça Europa e vá
para as ruas que a lama chega.
Sinta o cheiro do povo
não banhado pela água encanada
 e sim pelo suor dos desencontros!

Não assista a arena do medo.
Vá construir janelas dos achados.

Cajados bateram
em pedras que
jorraram água.
Idéias sem alma,
é o Mar Vermelho
 que abriu sem garantir que todos chegariam
 na Terra Prometida.

Escove os dentes quando a pretensão for maior que a compaixão para esquecer o
 cheiro da indiferença mastigada
pela boca que profana a dor do próximo.
As águas estão turvas.
O coletivo não é o cenário.
 São os atores.



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