sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Caldeirão de poesias

Coletânea de poesias.
 Autora: Silvia Moura


Ainda que eu falasse a língua dos homens,
e falasse a língua dos Anjos,
Sem amor eu nada seria.”
Camões.

Flores-imagens-cores
Flores de mais amores...
Entre uma Mulher e uma Mulher:
estradas, ventos, folhas
 caídas, pôr do Sol e as flores da manhã..

Entre Eu e Você: os fatos não visíveis,
 a música do orvalho...
a sinfonia dos grãos e barros,
 pedras e Tempo!
Talha-se uma Mulher com amor!
O Poder é consequência!
O barro ganha brilho quando a alma adentra!
A caneta encanta quando canta
a escrita da liberdade!

A caneta que algema o pensamento,
 torna-se corrente.

A música que toca enquanto escrevo, esperneia-se em notas e palavras que cala uma alma com saudade:

“não se afobe, que nada é pra já
o amor não tem pressa, ele pode esperar...em silêncio
no fundo de armário na posta restantes
milênios... milênios... no ar”





“Quando agonizantes, gozamos,
transcendemos.
Essa história de ser mulher ou ser marido:
É como se você fosse terra
E eu tivesse chovido.”
Aldir Blenc

Falarei feito borboleta,
Sem medo da Inocência!
Escreverei feito Onça,
Sem medo do Caçador!
Feito bicho, rastejo nas migalhas
Estrelas do meu afeto.

E não nego-me diante de um não!
Nego-me quando aceito a ordem da Pedra-Orgulho que não acalenta
Um amor!
A beleza está no horizonte do mais perdido ser;
Santos não se maquiam e as bruxas choravam sem lágrimas!
Há muitas formas de amar!
E você...
Só quer saber apenas de uma: não amar.

Chove chuva da primavera
Pode ser uma H-era.
Mas, a terra molha-se.

A mulher veio sem recusa para se molhar.
Cadê o teu rio?

“E se a noite pedir,
E se a chama apagar
E se tudo dormir
O escuro cobrir
Ninguém mais ficar?
Se tudo falir
O mar acabar
E se eu nunca pagar
O quanto pedi
Para você me dar?

Uma vez eu escapei pela janela para não levar uma surra da minha mãe...
Às vezes, adormeço para esquecer e
a janela da alma abre-se:
“sonhei retirando minhas mãos das tuas”...
 escapando do meu próprio amor...
Pulando a janela para não apanhar de sua frieza!

No mesmo sonho,
“só olhava para ti
 quando não corria o risco de
 você me ver...
 e o desejo de te ver foi tão grande
 que mesmo escondida
 você flagrou
meus olhos diante dos teus.”

Acordei quieta.
A minha alma não te queria por justamente saber
 que o não querer não era meu,
era teu.

Que delito: negar-se quanto chama.
Espelhar-se na miragem do falso amor!





Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou!”
                   Renato Russo


Tem Sol que rio diante de tudo...
Tem lua que penso em você indefinida:
finita na colheita e eterna no plantio.
Ausente no presente
perto de mim.

Tem verão que suo correndo atrás
 das juras secretas,
Tem inverno como este,
 que sou gata quieta diante do frio,
Resmungando o verso da insensatez
 por você retornando para a longe miragem.
Que imagem!
Não tem primavera, nem outono.
Alaga-se as terras secas e secos são os dedos sem poesia.
O poeta não confia no Tempo.
Se desespera pela espera!
Se torna lobo do mar sem percorrer o Oceano Atlântico.
O rosto de Vênus sorri...
Quem não falou que a flor não tem espinho e
 o amor pode esconder-se para não sofrer
contrariedades?
Conte a Lenda. Cante o Mito.
 Era uma vez...
Pedaços de mar que viraram
 Cris-tal!


“Eu te mumurro
Eu te suspiro
Eu, que soletro
Teu nome no escuro.”
Chico Buarque.



Quando uma alma se compraz no cadinho das escolhas de cada dia...
 ela encontra-se ou
 ela perde-se.

Já imaginou se o melhor som fosse a buzina de um carro...
o grito de um soldado atrás do ladrão...
a fumaça que sai de uma fábrica?
A melhor imagem,
 ser o prédio da zona melhor de qualquer cidade
e o desejo culminar-se
 no rebolado passos de uma prostituta?
A alma seria robô.
O homem, o ferro velho usado pelos Estados Unidos.

Ria, meu amor!
Não há melhor época
 para a poesia quando a Mulher olha para o tempo e
já não vê o tempo.
Não sabemos se os olhos
 estão sem tempo...
ou Ela acordou!



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