segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Viva!

Mais um ano está terminando e nesses últimos dias que antecedem o novo que vem chegando costumamos fazer um balanço de tudo que foi vivido/desejado/realizado. Sentimos uma sensação de despedida e ao mesmo tempo euforia por causa daquilo que está por vir. Parece que foi ontem que o ano começou não foi mesmo? Mas não foi ontem! Tivemos 365 dias vividos de várias formas e intensidades. O que mais marcou sua vida esse ano? O que merece replay e o que merece delete? Qual o perfil do seu ano?
Acredito que muitos planos foram feitos, idealizados, planejados e quantos deles foram concretizados? Aquela segunda-feira da academia, do inicio da dieta, do mudar algo que estava ruim chegou ou ficará para 2014? Aquele “basta” foi dado ou ficou aí arranhando a sua garganta? O que te paralisou nesse ano? O que te fez não ir ao encontro do seu sonho? O que te fez desistir?
Creio que tenha sido um ano de algumas lágrimas, sorrisos, realizações, boas surpresas e momentos de angústias, mas a vida é assim ninguém disse que seria fácil e acredite, é isso que a faz tão fascinante! É a capacidade de você superá-la, de mostrar para si mesmo que pode ir além, que é capaz.... e para isso não há preço.
Mas vamos lá... esse ano foi divertido não é mesmo? Quantas vezes você sorriu de doer a barriga? Inúmeras gargalhadas e sorrisos bobos alegraram seus dias. Tenho certeza que muitas coisas maravilhosas aconteceram e te pegou de surpresa. Você foi abençoado com o dom da vida e viu quem você ama também ser. Você sorriu de coisas bestas. Riu de coisas sérias. Riu de você. Riu de felicidade. E sim, eu sei, também riu de tristeza.... e esse teve um gosto agridoce.
Uma coisa eu tenho certeza! Você fez burradas nesse ano. Inúmeras! Teve aqueles “5 minutos” de loucura e acabou fazendo aquilo que jamais pensou em fazer. Tem aquela coisa que você lembra coloca a mão na testa e pensa “O que foi que eu fiz!” e um misto de sentimentos invade. Eu sei você pisou na bola, mas não pode voltar atrás não é mesmo? Então bola para frente. Bom, uma ressalva aqui, tudo bem que os erros servem para não serem cometidos novamente, mas confesse há “erros” que queremos cometer algumas vezes mais não é mesmo? E nem adianta fazer essa cara aí! No fundo, beeeem lá no fundo você sabe que tenho razão! Falando um pouco mais sério agora.... Seja mais leve com você há coisas que simplesmente não são do nosso jeito... não se culpe tanto, não se cobre tanto... A vida é tão linda... olhe para ela com outros olhos... Viva de outras formas.
Você chorou. Eu sei disso! Chorou quando sentiu o coração apertar, a dor chegar, o inesperado acontecer. Chorou quando perdeu algo ou alguém. Chorou quando imaginou ter acabado as forças, a esperança, a alegria. Chorou para aliviar. Chorou para desabafar. Chorou para não surtar. Chorou quando não tinha outra coisa a ser feita. Chorou uma madrugada inteira. Chorou quando pensou que o seu mundo havia desabado. Mas não desabou... não desmoronou... e como eu sei disso? Olha você lendo! Você venceu....
E teve aquelas lágrimas de felicidades.... De vitória. De conquista e realizações! E quantas coisas você conquistou. Quantas coisas boas aconteceram em sua vida, coisas que você nunca imaginou e que fizeram seu coração acelerar. Quantas coisas boas te aconteceram ao longo desse ano. Quantas surpresas boas entraram pela sua janela. Quantas pessoas especiais mudaram o rumo dos seus dias e as cores da sua vida. Você teve doces e suaves surpresas. Só um lembrete: Não procure a felicidade nas grandes coisas....
Foi um ano e tanto não é mesmo? Veja quantas pessoas você foi sem deixar de ser você. Veja quantas pessoas ajudou sem ao mesmo dar-se conta disso. Veja quantos sorrisos proporcionou.
Eu tenho um pedido a lhe fazer: Não procure ser melhor apenas no ultimo mês do ano.... Não deixe a preocupação pelo outro, o interesse real pelas pessoas, a caridade, a humildade chegar apenas na véspera do Natal. Procure ser melhor todos os dias do próximo ano. Não queira ser bom pela metade. Escute mais e dedique mais seu tempo para os amigos e pessoas ao seu redor. Desconecte mais e crie mais laços. Desfaça os nos. Procure tratar as pessoas de forma mais gentil. Sorri mais. Abrace mais. Seja menos inflexível. Ame mais. Apaixone-se mais pela mesma pessoa. Ame outra e outras vezes. Ame! Olhe nos olhos. Aperte a mão com vontade. Abrace com gosto! Não entre nessa onda de bondade apenas no final de ano... Ame o ano todo! Deseje felicidades a todos durante todo o ano. Se faça presente de verdade. Ame mais. Perdoe mais. Olhe ao seu redor e veja quantas coisas maravilhosas há. Agradeça mais! Lute pelos seus sonhos e não desista facilmente.

Silencie.... Pare.... Escute.... Feche os olhos e sinta.... o novo vem vindo para você. Acolha-o. Abrace-o. Prepare o seu coração e a sua casa para ele. São 365 oportunidades para viver e ser melhor não a desperdice com coisas pequenas. Sinta a brisa.... sinta o amor.... Tudo dará certo. Enxergue com o coração. Deseje com todas as suas forças e com todo o seu coração ser feliz. Não tenha medo, não desista, não perca a fé. Um ano novinho vem chegando e ele é todo seu. Abrace-o e o mais importante: Viva!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Caldeirão de poesias (3)

Coletânia de Poesias.
Autora: Silvia Moura.
“As florestas e o deserto
perfumam-te as tranças rudes
tens na fronte as atitudes
do enigma e do incerto.”
Charles Baudelaire.



Que loucura, uma mira surrealista!
Sentir o néctar nefasto da ilusão.
No branco Cris-tal!


Eu rio de mim.
Eu rio de você.
Adoeço.
E escrevo.
Se estou bem...
                            alianço-me com o tempo,
    durmo com o amanhã
 e faço amor com o presente.
Tu ausentas da agonia,
da medida,
da necessidade,
do desejo,
 do sonho,
 da mística União.
A incerteza toma face de uma montanha!
 A santidade perfuma o vaso profano,
 As sandálias de barro
Caminha... caminha... caminha!
Os olhos fecham-se
 na sublimidade do momento:
 pôr do Sol!
A lua acasala-se!
É o amor sagrado.
Pede-se perdão.



“Nada espero
e tudo quero
Sou quem toca
Sou quem dança
Quem na orquestra
Desafino
Quem delira
Sem ter febre
Sou o par
 E o parceiro
Das verdades
A desconfiança.”
            João Ricardo e Apolinário.


Misericórdia, Senhora pela liberdade!
Apiedai-vos daqueles que amam sem roupas!
Perdão aos tolos, tontos e sensíveis.

Jogo a castidade para o vôo do coração...
Arranco de mim, o pudor que se cala...
Ando sem a calcinha da farsa...
E peço perdão pela mão que recita...
O poema guardado!
Dai-me a esmola da compreensão.
Retire a marca do gesto inquisidor perante a leveza...
... As borboletas têm direito à vida!
Os peixes nadam sobre a harpa...
Aquietas, a música não late... e nem morde!
...
Feche a luz!
O palco é o amor.
A caridade agradece e a mendiga faz parte ainda... das ruas.
Perdoa-me, prefiro a minha verdade.

Tua falta é o limite
Onde tudo morre antes
Branco no papel sulfite
Silêncio do alto falante.”
Celso Viáfora
Eva mordeu a maçã.
Joana Dar’c foi para a fogueira,
Madalena converteu-se...

O que você quer de mim?
 Retirar o direito do divino amor meu?
Pedir perdão pela tamanha inconveniência?
 Eu faço.

Ninguém tirará a vontade de que você exista
como minha parte.
Eu parto.
Estou longe.
Não quero lhe ver,
as unhas da gata arranharia o teu rosto.
estou a conta -gota de esperança.
Os homens outros usam saia.
Se eu soubesse que ao jogar uma maçã acertaria a sua cabeça... eu jogaria.
Ou um prato.

Chata!
Como ousa me magoar?
Hoje estou tão frágil!
A guerreira desaparece em ciclos.

Não existe maior dor que amar o ausente.
Sai da necessidade física e adentra nas grutas invisíveis do amor que transcende
as vontades terrenas.
Exige-se renúncia de um silêncio enorme dos fatos considerados concretos que satisfazem somente aos 05 sentidos.
Viaja na textura do amor real do Universo:
 verso do meu cosmo coração.
Retirar um amor, ao colocar nos arquivos “fora de cogitação” é grosseria.
Ou fuga!

Até quando o fazer do dia a dia aliviará os desejos incendiados de uma bruxinha que na calada da noite adormece se perguntando:
“o que ela estará fazendo agora?
Já dormiu?”

cansaço e preocupação adia...
mas não apaga!

Estou sendo queimada na “fogueira das vaidades” diante
  da decisão inquisidora dos padrões enferrujados e
das conveniências
por falar o que a outra não acredita:
 união e alquimia sexual.

Que horror!

Reminiscências cléricas, hem, 

Não se mede a profundidade da falta e
dos sentimentos quando as palavras
 são grafadas pelo fogo do coração.

Jamais um aquário terá a beleza
 e a magia do mar.


“E viveram felizes para sempre
Eles estavam livres da perfeição
Que só fazia estragos.”
Nando Reis


Todos os insultos à Deus, tornaram-se caminhos com espinhos,
 mas eram caminhos.
Que a sua mão venha ao coração.
Vale a pena machucar?

O deserto é extremado.
A beleza está presente e seca.
Prefiro os jardins.
Exige dedicação, mas a vida é constante.
Sou enjoada!
Calada com olhos que fala.
Escrevo para você, sem razão.
Quando raciocino acho-a mesquinha.
Amo uma mesquinha?
Ou estarei na culminância do meu egoísmo quando só vejo você para amar?
Que contradição:
 o amor cresce e vai adiante.
A imperfeição do que sinto,
engravida-me de desejos!
A imperfeição é sábia.

Vá,
imaginar-se perfeita e
 medir a estrutura da vida
apenas na paisagem alcançada
pelos teus belos olhos!
Que perfeição de Orgulho!



“Os verdadeiros versos
não são para embalar
mas para abalar.”
Mario Quintana.

Entre os dias, as noites.
Entre, para os afazeres.
Descansa e dorme
Assim, Orfeu passou no Tempo!
Comeu Jabuticaba nas festas.
Tudo bem!
Sabores diversos a Grécia tinha.
Sabores são conhecimentos frutas nas experiências.
E a jabuticaba, o que é?
O alicerce de tudo é a Origem.
Doce dilema: penso, logo, existo!
 Sheskspeare criou Romeu para idolatrar Julieta
e ambos decidiram fugir para amar;
Jocasta amou Édipo
 que matou Laio – o pai!
A Grécia nunca deixou de ser uma grande civilização e
 nem o berço dos grandes pontos de interrogação.
 Os aborrecidos gregos foram para as guerras,
deixando as doces Helenas sozinhas.
Páris,
Aquiles,
 Ulisses,
amavam as Helenas e
Zeus visitava as mortais.
Silêncio.
Os Deuses não existem.
Que pena!
Gostaria de conhecer Zeus!

“O amor ta quase mudo
Minha voz também.”
Luís Melodia!

Ama-se o inusitado
amando você.
É um delito falar com a inocência da verdade que há o amor.
Meu amor não é
 como de Ana,
Beatriz,
Cristina.
Ama-se o incerto
diante de você.
Rainha sem coroa,
não precisa de um amor
 com barras de ouro.
 Ou pedrarias da Índia...
Insulta-se o Mistério,
quando ama você?
Ama o amor da amada
embaixo do céu.
Só posso oferecer o que os meus olhos vêem
sem tocar.
Quando eu olhar para o Mar
verei você.

Mesmo que a boca sem ser a sua,
acorde o meu desejo.

Silvia.



                                           
  “Amo a recordação daqueles dias nus
Quando Febo dourava as estátuas de luz
Quando homem e mulher na agilidade
Brincavam sem mentira e sem ansiedade.”




Charles Baudelaire

Caldeirão de poesias (2)

Coletânia de poesia.
Autora: Silvia Moura
“Sou sua noite, sou seu quarto
se você quiser dormir
E se despeço eu em pedaços
Como o silêncio ao contrário
Enquanto... espero
Escrevo uns versos e depois rasgo.”
Adriana Calcanhoto


Cansada você chega!
Cansada... do nada, o tudo envaidece.
Falei que o nada não se desnuda da verdade de mim!”

Repousa, meu carinho!
Do vinho dos meus afagos!
Quisera eu te ensinar
a magia da alma que
 sacode o mundo, o seu mundo.
Quiseras tu,
silenciar para não despertar!
Você vê a dor,
da sobrevivência dos outros.
Eu sou a sobrevivência
do que sinto.

Não quero você
Agora, perto de mim.
Você em si,
é cantiga que ao ouvir dói...
brasa que apaga na medida do sopro
sopro que diminui na expansão do fogo
fogo que queima sem incendiar
incêndio que se perde nas fagulhas dos
pensamentos.

“Por todo o caminho, te levo comigo,
como quem arranca um punhado de mato
e põe no bolso
só para sentir a raiz dentre os dedos.”
Kátia Borges.

Sentidos comuns nas entranhas do coração
Gera uma Farroupilha.
Sentidos especiais em erupção
Não tem signos e códigos.

Rodopia peoa do relógio-ritmo seu!
Na gravidade certa, o equilíbrio...
Pétalas na peoa, por favor!
 De tantas pétalas
A peoa saiu voando feito borboleta!
Metades das metáforas são apenas gestos silenciados pela força da última canção.


Não gosto do perfil
 que as musas dos poetas eram etéreas
E nem que eles não as tinham, por serem musas.

Amor que bate na distância
É ruptura dos velhos mares de
Castro Alves,
Aloísio de Azevedo e
        
     Machado de Assis.

Que falariam a ti?


“Vem já
antes que anoiteça
tecer noites e páginas.
              Adriana Calcanhoto


Amariam-se enjoados, os crioulos dos Navios vindos da subversão européia?
Amaria o Ateneu a luva de Assis na mão do Mulato?
Sim!
Sim!
Lembrei hoje de “Darcy” personagem principal
de um best seller de Jane Austen.


Não nasci para ser mulher.
Eu sou mulher!
Eu não nasci para pensar.
Eu penso!
Eu não nasci para ler.
Eu sou o livro!
Eu não nasci para ser à sombra do Sol.
 Eu sou o código do Sol!

No meu código, a incoerência do “azul cor do mar”
que tem tempestades.
Um dia recitarei uma poesia
para os seus pés.
Por que os pés?
Para acordar
 o resto na dança!
As mãos desacostumaram
ao baile,
A pele não respira
o pêndulo da poesia,
Nem os olhos
não se inventam!
As coxas recebem pancadas
e não gemem...
Os braços são
semáforos!
A coluna com becos
inesperados.
O cheiro... lampião antes da luz
elétrica.
Os cabelos não modelam a
cera da estátua.
O umbigo, oráculo vazio!
Os quadris,
as sapatilhas da bailarina que virou mulher e teve filhos.
Os pelos eriçam de frio,
jamais de calor.

Oh! A boca...
                                A boca não sorri.
 A boca está comendo!

A necessidade não tem música.
A alma tem notas, pianos e flautas.
A alma está nas ladeiras do Pelourinho em ginga...

 Na bagatela Europa que deitou
com as crioulas açoitadas e mesmo assim saiu do
meio da suas coxas, o leite,
Do gozo da branca
malvada!

O ouro ladeirou o porto,
As emboladas aconteceram
mesmo assim!

Escorrega, nega!
Passei óleo e amendoim
nas tuas virilhas
Para a ribalta
de Bethoven acontecer!
Ou só basta “café com pão”
 de Minas?

Os índios dançam;
O negro cozinha!
A Natureza tem espírito.
E o branco tem dor de barriga pensando ser feliz!
Quando o mestiço e o amarelo avermelharam, a América Nordestina conheceu “o comuna”.
Os peixes são sacrificados feitos cordeiros do mar,
para amar o contato do Homem com Deus
pela pescaria.
O mar dá peixe ao pescador.
No outro dia, o pescador não volta mais do mar!
Mesmo assim, o povo ama Iemanjá!

A febre da Tuberculose inspira abolicionista!
Amados são Abreus em terras sangrentas
da Pensão que abriga a hora da estrela.
Acorda!
É o carnaval do galo!
Madruga-se cedo na rede
bizantina do interior do Ceará.
Atravesse o canal da Virgem de
qualquer vila
 e chega nos barrocos gestos limoeirenses!

A Natureza impõe segredos.
O que são lendas brasileiras senão o bastão da arte do suor escorrido em formas de dores e desassossegos
junto as velas e terços.
A renda do altar esconde o desejo.
As cordas amarram as esperanças.
É o Jaguaribe em vôo da Currupia!
Chia! Pia!
Sem estremecer.
Aprendeu no olho
do Índio que viu a morte
pela fome
e escapou.
Dê o nó bem dado.
As dificuldades não esperam “torno” escuro.
Sai da Praça Europa e vá
para as ruas que a lama chega.
Sinta o cheiro do povo
não banhado pela água encanada
 e sim pelo suor dos desencontros!

Não assista a arena do medo.
Vá construir janelas dos achados.

Cajados bateram
em pedras que
jorraram água.
Idéias sem alma,
é o Mar Vermelho
 que abriu sem garantir que todos chegariam
 na Terra Prometida.

Escove os dentes quando a pretensão for maior que a compaixão para esquecer o
 cheiro da indiferença mastigada
pela boca que profana a dor do próximo.
As águas estão turvas.
O coletivo não é o cenário.
 São os atores.